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por ocasião de um reencontro e de novos encontros.

 

 

nós, que adultescemos sem notar, como se tivéssemos convalescido longamente. separados pelas encruzilhadas que nos aproximaram, hoje tentamos (não sabemos se em vão) recompor alguma substância possível: fumaça e cinza de incenso ou ao menos águas salgadas e frias de inverno. qualquer matéria que nos forneça rastros ou pistas da dissipação por que passamos, que desbastou nossas elevações e profundidades adolescentes ao nível médio de nossa deficiência crônica de dar sentido a qualquer porção de tempo. (bruxismo.) recompor qualquer substância que amenize as ressacas que nos assolam como piolhos de estimação – e não dizemos recalque, pois: já desistimos de definir se se trata de má fé, desconhecimento ou incompetência essa estagnação; mesmo superado o nó em que nos metemos (ou que nos meteram?, tanto faz), o que faríamos depois?

 

aprendemos a abrir mão das redenções de outrora. nossos livros, madrugadas em claro, as ressacas alcoolicas e morais que nos permitíamos e que nos constituíam positivamente, afirmativamente, os risos e dramas ingênuos em que repousavam nossas esperanças e deslumbramento, o cigarro apagado no copo com água, o perfume discreto da brisa da manhã, os amores passageiros (e amamos tanto!, e tantas vezes…)…

 

hoje erramos em perguntar-nos sobre nossas origens e nossa localização exata no mundo e em nossas próprias vidas. um pouco porque já sabemos que somos errantes e insistimos em fazer perguntas retóricas. mas também porque talvez não exista pouso para quem escolheu estar permanentemente em refúgio.

 

estamos onde estamos, sabendo que poderíamos ter estado e que poderemos estar em tantos lugares e de tantos modos. e sabendo também que não os poderemos todos.

 

então pedimos licença àqueles que não têm apetite para o nomadismo. nós talvez não consigamos nunca conter essa inquietude estranha, incômoda e sobretudo orgulhosa que rechaça toda explicação aconchegante. mas estaremos em paz com nossos pés estropiados, que, no mínimo, dão testemunho de que nossos eventuais ou aparentes fracassos foram amados e desejados por nós até suas raízes.

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