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Category Archives: Divã cigarrilha e champagne…

quando a gente tem dezessete anos, reclamar do tédio no domingo é desculpável. então a gente perde o excesso de hormônios e deixa de ter direito ao tédio e à reclamação. rito de passagem. (para quê?, me pergunto.)

e não adianta tomar porre no sábado pensando em diluir o domingo. aquela vitalidade que impedia as ressacas também já era, babe, e a sensação do enfado grudado na testa vai te assaltar até a terça de manhã.

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o que é espesso e fel, nestes dias em que a chuva não traz glória ao (meu) cerrado, é que as palavras não faltam – e isso não resolve nada.

como é bom começar o dia com crise de faringite, sensaçao de estar semi-encarnado e de não saber mais escrever substantivos compostos (maldita reforma ortográfica) (alguém que me explique o porquê da necessidade de manter os acentos das oxítonas de palavras como “herói”, por exemplo, alguém que me explique!!), com a ana maria brega, digo, braga dizendo que “lapidar” vem de “lápis” (segundo o priberam online: “lapidar: v. tr. 1. Matar à pedrada. 2. Traçar as facetas das pedras preciosas e poli-las. 3. Fig. Polir; educar bem. 4. Desbastar. adj. 2 gên. 5. De lápide ou a ela relativo. 6. Próprio de lápide. 7. Gravado em lápide.”; “lápide: s. f. 1. Pedra com inscrição. 2. Laje sepulcral.”), o orkut me dizendo: “Hoje é um bom dia para distribuir alegria”, como é bom!

foi o máximo que uma jornalista de rádio, de uma rádio brasiliense, conseguia dizer ao entrevistado. o interesse era tamanho. do tamanho dessa frase.

1. como disse um amigo: ela o entrevistava e pensava na lista do supermercado;

2. é assim que têm sido estes dias que parecem passar, mas que me habitam e retornam para sempre.

“após ler esta mensagem, a fada do sexo te visitará em 4 dias”.

o_O

um dia hão de me entender a respeito de e me dar: a bolha que me proteja. é, porque eu simplesmente sou um tanto, como diria, como um ingênuo voluntário. un peu démodé, io lo so bene. però…

(para os que não presenciaram os fatos, ou seja, todos: – e só me falta aparecer algum jantar de noivado para me desiludir completamente – eu desacreditava que certas práticas ainda aconteciam. por exemplo: cantadas baratas e bêbados chatos pagando rodadas de cervejas para desconhecidos. eu, que acreditava  num mundo melhor. acreditava. e não, talvez hoje apenas, pensaria duas vezes: não abriria a porta e tomaria a pílula azul.)

1. son angoissant, importun, d’un clavecin muet.

2. ela que se julga articulada e grata… e eu que sei dos castelos de areia e da autopromoção.

3. um vermezinho tácito. mas isso eu já fiz num poema.

4. me calo por escolha e medo e assumo as conseqüências.

1. adivinhando meu desejo de reclusão, o google mais uma vez deleta minha conta do orkut. providência divina? bem, só sei que emburrei e não volto mais.

2. “faz de conta que sou a fada madrinha,/me chame dinda ou dindinha” lá-lá-lá-lá-lá-ri-lá-lá etc.

é de mau gosto que nós, burguesinhos, pensemos às vezes que somos muito desocupados e que reclamamos demais da vida enquanto gente que não tem o conforto que temos vive bem. primeiro porque o nosso viver bem nem é acessível a eles; depois porque impomos nosso padrão aos demais; mas, principalmente, porque adotamos uma idéia pobre e inserimos em nosso padrão elitista. não (nos) cai bem, definitivamente. ademais, esses que julgamos não reclamarem da vida, reclamam sim, e muito. só que eles têm “pobremas” e até mesmo vaidade pois dizem que precisam “ismagrecer”. nós temos depressão e crises existenciais.

reitero: adoro ser da geração danoninho. e que se fodam os que me acham preconceituoso. a idéia de pobreza me é de todo estranha; só defende ou ataca a pobreza quem dela se aproxima.

as expressões recentemente cunhadas:

“estou na minha fase ‘sou um interessante platônico'”;
“homem-fallo” (típico “homem-bonito-de-boca-fechada”);
“estou cansado de fazer uso das minhas faculdades sexuais autônomas”.