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Category Archives: hegelianas

não sei ando escrevendo muito (e mesmo em excesso), mas qualquer comentário que faço nas redes sociais (incluindo os blogs, que não deixam de o ser) me parece deslocado, sem necessidade…

 

de qualquer forma, escrever foge da necessidade. sempre. assim como um cão foge do próprio rabo quando o persegue.

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ainda não está em jogo, ainda não, a questão da totalidade, ainda que eu concorde com o comentário do beto em “alteridade [1]”¹. por enquanto, bem mais simples, me interessa esse entre-dois, essa estranha situação em que estamos sempre, em que não podemos assumir o lugar do outro, mas em que também estamos partilhando do mesmo lugar. existe comunidade, existe este simples estar-com, a despeito de toda compreensão ou incompreensão. compreender ou não compreender só se dão num ambiente em que já se é e está sempre junto com, em conjunto, com-junto. existe essa estranha distância que aproxima, que mede a diferença na comunidade. distância, diferença, comunidade, proximidade: tarefa única de todos, tarefa que não escolhemos começar e que não podemos suprimir, o que não faz dela uma fatalidade porque ela só pode existir conforme a efetivamos em nós. talvez seja essa tarefa, como a chair de merleau-ponty, que constitua mesmo a nossa carne e a carne do mundo, talvez seja isso, essa tarefa, que é o lugar, ou, para me exprimir propriamente, o horizonte – já que não é pontual porque vem de todas as direções, mas não vai para qualquer lugar – que tentamos acessar quando compreendemos ou julgamos compreender, ou não, o outro. o lugar de onde partimos não é este ponto-aqui, nem o lugar de onde o outro parte é o lá ou acolá: ambos estamos situados muito mais no que há entre nós que nos põe em perspectiva – e nunca em mera relação, para retomar outra querela antiga – do que nestes pontos objetivos ou subjetivos, como se queira, que nos tomam como primeira ou terceira pessoas. donde: eu, tu e os demais falamos sempre em segunda pessoa(, o que deve ser desenvolvido adiante juntamente com o problema, ou a saída, apresentado pela questão de uma ficção, da boa ficção).

¹o comentário foi perdido na migração do blog para o wordpress. uó.

se compreender o outro implica-se colocar-se no lugar do outro, nunca compreenderemos o outro. pelo simples fato de que não podemos assumir seu lugar, a não ser o nosso próprio. o que não inviabiliza a compreensão, mas a torna possível à distância.

(notar bem o papel da ficção.)

as perguntas em círculo contêm o princípio. como, por exemplo, o que vem primeiro, o fato ou a possibilidade?

o travamento causado pela impossibilidade, ou melhor, a impossibilidade mesma é o começo, mas não o princípio.

“für sich”, “an sich”. ich mein’: für mich